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Um novo entendimento para encarar o processo do luto

Um novo entendimento para encarar o processo do luto

Essa não é a primeira vez que falamos sobre a importância de viver o luto por aqui no blog. Já preparamos artigos completos sobre as fases do luto e sobre a terapia do luto, que você pode conferir para entender melhor o que a psicologia nos fala sobre a maneira certa de encarar esse período.

Então, o que mudou de lá para cá? Com a pandemia do novo coronavírus, o mundo todo atualmente passa por circunstâncias excepcionais que podem provocar grandes mudanças sociais, semelhantes aos que foram vivenciadas em outros momentos da história recente, como a Primeira e Segunda Guerra Mundial, e a pandemia da Gripe Espanhola.

Momentos como estes fazem com que os estudos e pesquisas, acerca do rompimento de vínculos humanos e acerca do estresse pós-traumático causado pelo luto, se multipliquem.

Então, como tem sido o luto durante a pandemia? Precisamos encontrar uma nova forma de superar a perda de um ente querido?

Continua lendo!

Afinal, o que é o luto?

Existem muitas teorias dentro do estudo da psicologia que podem definir o que é o luto, no entanto, o mais clássico e aceito pela academia é de que o luto é um processo natural que ocorre em reação a um rompimento de vínculo. Esse vínculo costuma ser, principalmente, entre indivíduos e a vida, mas o luto também pode ser vivenciado em âmbitos profissionais e sociais.

Ou seja, o processo de luto abarca questões relacionadas à perda em geral, como a perda de um ente ou amigo querido, o fim de um relacionamento amoroso, uma demissão, uma perda de possibilidade de futuro, entre outras.

A percepção mais aceita do processo de luto é o das 5 fases – negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. São etapas pelas quais todos passamos (independente de quanto tempo demore para passar de uma fase para outra) e que nos ajudam a ressignificar e reorganizar nossas vidas.

Todo ser humano irá passar pelo menos uma vez na vida pelo período de luto, então este não deveria ser um assunto tabu, mas infelizmente ainda é. A extensão do luto depende também da estrutura emocional de cada pessoa e tentar burlar o processo do luto – e os sentimentos advindos dele – pode tornar a situação ainda mais grave.

O luto durante a pandemia

Existem algumas noções básicas de como encarar o luto, no entanto, a pandemia do novo coronavírus, e as excepcionalidades impostas por ela, colocou todas essas noções em questionamento.

Por conta do isolamento social, não foi possível conviver com aqueles que amamos; por conta do distanciamento e das regras sanitárias, não foi possível exercer rituais de adeus ou homenagens; por conta do alto número de óbitos, muitas vezes em uma mesma família, não tivemos tempo para vivenciar nossas emoções.

Veja também nosso artigo especial sobre as consequências da solidão na nossa saúde física.

Essas questões levantaram novas dúvidas para a área da psicologia, que já estuda os efeitos da pandemia no processo do luto. Apesar de ainda não haver respostas robustas, o primeiro levantamento é de que a impossibilidade de realizar rituais pós-morte, específicos a cada cultura e religião, causam um impacto negativo no luto de uma comunidade.

O desafio de oferecer amparo de forma à distância, assim como a vivência de uma sequência de eventos negativos, faz com que o termo “luto complicado” comece a ser usado por estudiosos, como conta Natália Pavani, psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O luto complicado é aquele em que os sintomas vivenciados são prolongados e intensificados. Deixamos de falar em etapas e passamos a falar em oscilações. O tempo de duração do luto continua sendo particular e o enlutado deve retomar gradativamente o curso da vida.

Como viver o luto?

A nova percepção do luto, citada pela psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Natália Pavani, é resultado de um estudo da Universidade de Utrecht, na Holanda. O estudo propõe compreender esse novo processo de luto e é intitulado “Modelo do Processo Dual para o Enfrentamento do Luto”.

Se antes concordávamos que este processo havia um começo, meio e fim – a partir de uma série de etapas, fases e estágios – o novo modelo propõe que o luto é um percurso de adaptação e oscilação.

Ou seja, assim como contraímos na dor e na memória, também expandimos na distração e na criação de novos vínculos. Para o estudo, o luto não acaba, mas ele também não se resume a tristeza ou saudade. Os sentimentos causados pela perda se tornam, aos poucos, suportáveis e ressignificados por conta do curso natural da vida.

No entanto, uma percepção permanece a mesma: para viver e encarar o luto, é preciso se permitir sentir e reconhecer os seus sentimentos. Fazer a travessia pelo luto ainda é algo individual e merece o devido respeito. Isso significa que, se você, que está passando por um momento semelhante, precisar tirar um tempo para si ou precisar conversar com um profissional da saúde mental, isso deve ser feito sem qualquer tipo de vergonha.

Falar sobre o assunto e entender o que aconteceu, e como esse acontecimento está lhe afetando, é um dos caminhos para a ressignificação dos seus sentimentos. Para superar a dor, primeiro você precisa vivê-la e entendê-la.

Se você quer ajudar alguém que está vivenciando o luto, o movimento mais simples que você pode fazer é se colocar à disposição para cuidar e ajudar. Mostre que você se importa através de mensagens e telefonemas. Faça-se presente, mesmo que a distância!

Conhece alguém que pode estar passando pelo luto patológico? Saiba mais sobre o que é esta condição e como você pode ajudar.

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